O mercado do arroz vive um momento de desânimo para os produtores. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), o Indicador CEPEA/IRGA-RS (58% de grãos inteiros, pagamento à vista) fechou o dia 19 de setembro cotado a R$ 61,89 por saca de 50 kg, menor patamar desde junho de 2020.
A queda reflete baixa liquidez e menor paridade de exportação, agravadas pela desvalorização do dólar frente ao real, que torna a venda externa menos atrativa. O cenário fez com que muitos agentes se retirassem temporariamente do mercado, esperando maior estabilidade, enquanto outros realizam apenas operações pontuais, especialmente para levantar recursos para custear a semeadura da safra 2025/26.
Produtores desmotivados
Desmotivados pelo recuo nas cotações, agricultores sinalizam que devem reduzir significativamente a área plantada de arroz nesta temporada. A retração pode ter efeitos sobre a oferta a partir do ano que vem, caso as condições não se revertam.
Pressão do mercado externo
Conforme dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), cerca de 70% da produção nacional está concentrada no Rio Grande do Sul. Tradicionalmente, os preços do grão são muito sensíveis à taxa de câmbio, já que o país exporta parte relevante da safra para mercados da América Latina e África. A valorização do real frente ao dólar reduz a competitividade do produto brasileiro, pressionando as cotações internas.
Sinais de ajuste
Analistas lembram que, caso a área plantada seja realmente reduzida e a demanda interna se mantenha firme, os preços podem se recuperar gradualmente ao longo de 2025. O Cepea observa que o consumo doméstico de arroz continua elevado e que a produção no Mercosul tem oscilado com eventos climáticos, especialmente no Uruguai e na Argentina.
Resumo:
- Cotação média: R$ 61,89/saca (menor desde 2020)
- Motivos: baixa liquidez, dólar mais barato, exportação menos atrativa
- Impacto: produtores devem reduzir área plantada em 2025/26
- Perspectiva: recuperação dos preços dependerá de clima, câmbio e demanda











