No auge da emoção esportiva, uma tragédia marcou a 40ª Maratona Internacional de Porto Alegre, neste sábado (7). O jovem corredor João Gabriel Hofstatter Delamare, de 20 anos, caiu a poucos metros do fim da meia-maratona (21 km), vítima de mal súbito e parada cardiorrespiratória. Ele foi socorrido no local por equipes da SOS Unimed, mas não resistiu. O caso se soma a uma preocupante série de mortes súbitas entre atletas jovens no Brasil — e acende um novo alerta no mundo esportivo e médico.
João Gabriel, estudante de Ciência da Computação da PUCRS e amante declarado das corridas de rua, era considerado saudável. Nenhuma condição prévia havia sido diagnosticada. O laudo do IML ainda é aguardado, mas as circunstâncias reforçam o alerta de cardiologistas sobre o aumento de colapsos cardíacos em jovens, muitos dos quais praticam exercícios de alta intensidade.
📉 Epidemia silenciosa: mortes súbitas aumentam entre jovens
Entre 2023 e 2025, ao menos 20 casos de morte súbita de jovens atletas foram registrados no Brasil, segundo levantamento da imprensa. A maioria das vítimas tinha menos de 40 anos e nenhuma doença conhecida.
Casos recentes:
- Ana Zuleica Xavier, 39, ex-triatleta, morreu afogada em prova no Ceará (mar/2025);
- Dayane de Jesus, 22, sofreu parada cardíaca em academia no RJ (mai/2025);
- Natan Trevisan, 26, caiu durante jogo de futebol em Pontão (mar/2025);
- Adley Pio, 24, morreu após jogo em Porto Velho (mar/2025);
- Paulo Zator (Paulinho), 45, teve infarto fulminante em partida de futebol em Teutônia (jan/2025).
A morte súbita em esportes é rara, mas os números crescem. Dados do Ministério da Saúde indicam que infartos em adultos com menos de 40 anos aumentaram 180% desde 2020. “Infartos eram exceções. Hoje, infelizmente, são rotina nos plantões”, afirma a cardiologista Juliana Tavares, do Hospital das Clínicas de Belo Horizonte.
🦠 Herança da pandemia: o papel oculto da Covid-19
Estudos científicos recentes ligam Covid-19 a riscos cardíacos prolongados, mesmo em casos leves. Um artigo da revista Nature, publicado pela Universidade de Washington, indica que os efeitos no endotélio vascular e no miocárdio podem perdurar por até 12 meses após a infecção.
“A pandemia deixou uma herança invisível nos corações jovens”, alerta a médica Ludhmila Hajjar (USP). A miocardite e a cardiomiopatia hipertrófica — inflamações e espessamentos cardíacos — são causas frequentes de morte súbita em atletas, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Muitos desses quadros passam despercebidos nos exames convencionais.
🚑 Falta de exames e estrutura mata
A diretora do Instituto do Coração, Dra. Bruno Caramelli (InCor-USP), reforça que “ser jovem e atleta não é sinônimo de invulnerabilidade”. O protocolo ideal inclui:
- Exame clínico detalhado
- Eletrocardiograma e ecocardiograma
- Histórico familiar completo
- Teste ergométrico para esportes de alto impacto
Além disso, a presença de desfibriladores (DEA) e socorristas treinados é vital em academias, eventos e clubes esportivos. “Em muitos casos, o uso rápido do DEA pode aumentar em até 80% a chance de sobrevivência”, afirma Caramelli.
📢 Sinais de alerta que não devem ser ignorados
Especialistas orientam atletas e praticantes regulares de atividade física a procurar atendimento médico se apresentarem:
- Dor no peito ou nas costas
- Tontura ou desmaios durante exercícios
- Palpitações ou cansaço fora do comum
- Falta de ar não usual
Em casos de Covid-19 recente, é recomendável pausa nas atividades intensas e avaliação cardiológica mesmo em quadros assintomáticos.
Surto Silencioso: Infartos em jovens disparam e Covid pode ser um dos principais vilões











