Em entrevista ao Estadão, o ex-presidente Michel Temer (MDB) expressou sua decepção em relação ao atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Temer acreditava que Lula dedicaria seus esforços para pacificar o país, mas percebe agora uma falta de vontade tanto do presidente quanto da oposição para isso.
“Houve um equívoco, uma distância entre a palavra e a ação. Eu achei que ele faria uma espécie de governo de redenção nacional, declararia: ‘Eu vou pacificar o país’, o que significa governar para todos os brasileiros”, opinou Temer.
O ex-presidente também criticou a cultura política brasileira, onde os governos sucessores buscam desmantelar as conquistas dos antecessores. Segundo ele, Lula é quem mais promove seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL).
“A oposição tem um sentido político, ou seja, se eu perder a eleição meu dever é destruir aqueles que ganharam. No Brasil, nós temos a ideia de que cada governo que chega precisa destruir os anteriores. Tanto que o vocábulo ‘herança maldita’ se incorporou ao vocabulário político do país”, explicou Temer.
Sobre as manifestações populares, Temer reconheceu o prestígio de Bolsonaro ao mobilizar multidões, mas também destacou a vitória de Lula nas eleições como sinal de sua força política.
Quando questionado sobre o ministro do STF Alexandre de Moraes, indicado por ele em 2017, Temer o elogiou como um “grande constitucionalista” e afirmou que sua atuação corajosa pode ter contribuído para a realização das eleições.
Por fim, o ex-presidente elogiou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como um nome cogitado para futuras eleições presidenciais, destacando sua competência e disciplina.











