O Ministro da Agricultura do Uruguai, Fernando Mattos, descartou a possibilidade de o Brasil impor taxas à importação de produtos lácteos do Uruguai. Durante uma visita à casa do Grupo Record RS na Expointer, ele argumentou que não é viável estabelecer restrições no contexto do Mercosul, onde a livre circulação de bens e pessoas é um princípio fundamental. Mattos destacou que seria contraditório para o Mercosul promover a liberalização dos mercados enquanto implementa regras restritivas internamente.
A confiança nessa perspectiva também se baseia em uma reunião com o Ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Fávaro, que ocorreu na sede da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) após um encontro com representantes do setor lácteo gaúcho na Expointer. Mattos explicou que essa reunião resultou na nomeação de dois pontos focais de trabalho com o objetivo de garantir uma oferta estável de leite na próxima primavera, seguindo todas as normas de transparência. Ele enfatizou a importância de facilitar o diálogo entre as empresas, permitindo a criação de regras claras que beneficiem o abastecimento adequado do mercado brasileiro.
O Uruguai tem sido historicamente um fornecedor confiável de leite ao Brasil, que não consegue atender completamente à sua própria demanda interna. Mattos destacou que a importação desempenha um papel crucial na regulação do mercado, evitando aumentos excessivos nos preços e mitigando a pressão inflacionária quando a produção brasileira diminui.
Além disso, há um foco na promoção do consumo de leite no Brasil, seguindo o exemplo do Uruguai, onde o leite e produtos lácteos são parte essencial da merenda escolar há 80 anos. A ideia é que essa abordagem não apenas regule o mercado interno, mas também crie hábitos alimentares saudáveis nas crianças, transmitidos de geração em geração. Mattos enfatizou que o Uruguai consome quase 50% a mais de leite per capita do que o Brasil e que isso poderia ser uma estratégia para aliviar os produtores e enriquecer a dieta das crianças com alto valor nutricional, melhorando seu desempenho cognitivo e escolar.
Além de buscar soluções construtivas por meio do diálogo para compreender as realidades de ambos os países, Mattos também solicitou a intervenção de Fávaro para resolver questões relacionadas à certificação de qualidade do leite uruguaio nas fronteiras brasileiras. Ele mencionou que o Ministro brasileiro se comprometeu pessoalmente a criar um grupo de trabalho para estabelecer critérios comuns de avaliação e certificação no Mercosul, visando garantir a transparência e a confiabilidade das operações comerciais.
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