No último domingo (30), manifestações organizadas por movimentos sociais e partidos de esquerda ocorreram em diversas cidades brasileiras, com o objetivo de protestar contra a anistia aos participantes dos atos de 8 de janeiro de 2023 e exigir a responsabilização do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em São Paulo, o evento principal aconteceu na Avenida Paulista, liderado pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP).
Apesar da mobilização, a participação popular foi considerada modesta. Estimativas do Monitor do Debate Político, formado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), indicam que cerca de 6,6 mil pessoas estiveram presentes no pico do evento, às 15h15. Essa contagem foi realizada por meio de fotos aéreas analisadas com software de inteligência artificial, método que possui precisão de 72,9% e acurácia de 69,5%.
A manifestação em São Paulo teve início na Praça Oswaldo Cruz, seguindo pela Avenida Paulista até o antigo prédio do DOI-Codi, local emblemático da repressão durante a ditadura militar. Os participantes entoaram palavras de ordem contra a anistia e exibiram faixas pedindo a prisão de Bolsonaro.
A baixa adesão aos atos gerou críticas e ironias nas redes sociais. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) comentou: “A esquerda conseguiu fazer uma manifestação tão grande, mas tão grande, que dá pra contar quantas pessoas foram na foto”. Já o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) afirmou: “Ato organizado pela esquerda e convocado por Boulos contra a anistia e pedindo prisão de Bolsonaro impressiona com o número de manifestantes”.
Além de São Paulo, manifestações semelhantes ocorreram em outras capitais brasileiras, como Belo Horizonte, Recife, Curitiba, Belém, São Luís, Brasília e Fortaleza. No entanto, relatos apontam que a participação também foi reduzida nessas localidades.
A mobilização ocorreu quatro dias após o Supremo Tribunal Federal tornar réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados por tentativa de golpe de Estado. Os organizadores dos atos destacaram a importância de não deixar as ruas para o bolsonarismo e de se posicionar contra a anistia aos envolvidos nos eventos de 8 de janeiro.
A baixa adesão aos protestos levanta questionamentos sobre a capacidade de mobilização dos movimentos de esquerda e a efetividade de suas estratégias para engajar a população em pautas relacionadas à defesa da democracia e à responsabilização de atores políticos.











