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quinta-feira, agosto 27, 2026
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Empresário é preso por torturar funcionário durante dez horas em Canoas

Um caso chocante de tortura e cárcere privado veio à tona em Canoas, Rio Grande do Sul. Um empresário de 42 anos, proprietário de um ferro-velho, foi preso após submeter um funcionário de 49 anos a aproximadamente dez horas de tortura. O crime ocorreu no sábado (22), mas a prisão do agressor aconteceu na quinta-feira (27), durante a Operação Supplicium, conduzida pela Polícia Civil.

De acordo com o delegado Marco Guns, titular da 1ª Delegacia de Polícia de Canoas, o empregador suspeitava que o funcionário estivesse furtando materiais do estabelecimento. Ao chegar para trabalhar, a vítima foi surpreendida, acorrentada e submetida a uma série de agressões brutais na presença da namorada e da mãe do agressor. Entre os métodos de tortura utilizados estão queimaduras com maçarico, choques elétricos e despejo de água fervente. Além disso, o agressor perfurou os joelhos da vítima com uma furadeira elétrica e a obrigou a amputar parte do próprio dedo com um alicate de cortar corrente.

A vítima conseguiu escapar do cativeiro ao cortar as correntes que a prendiam e fugiu, mesmo gravemente ferida. Moradores da região relataram ter visto o homem saindo ensanguentado do local. Após a fuga, ele procurou atendimento médico, onde inicialmente afirmou ter sido vítima de um assalto. No entanto, ao ser questionado pela equipe de saúde, revelou a verdadeira natureza das agressões, levando à intervenção da Brigada Militar.

Na residência do suspeito, os policiais encontraram os instrumentos utilizados no crime, incluindo o alicate, a furadeira e uma arma de fogo do tipo garrucha, usada para ameaçar a vítima. Técnicos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) analisaram os objetos e identificaram vestígios de sangue, corroborando o relato da vítima.

O delegado Marco Guns destacou que a motivação do crime foi “puro sadismo”, já que não há registros de furto ou qualquer evidência que justificasse as suspeitas do agressor. A companheira do empresário está sendo investigada por possível participação ou omissão, enquanto a mãe dele é tratada como testemunha.

Este caso ressalta a gravidade da tortura e do tratamento desumano, práticas que infelizmente ainda ocorrem em diferentes contextos no país. Relatórios do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT) apontam que técnicas brutais, como a fratura de dedos de encarcerados, têm sido identificadas em diversos estados brasileiros, evidenciando a necessidade de medidas eficazes para erradicar tais violações dos direitos humanos.

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