O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou categoricamente que tenha discutido qualquer possibilidade de aplicar um golpe de Estado para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva nesta segunda-feira (25), quando ele retornou a Brasília após um período no Nordeste.
Bolsonaro citou o ex-presidente Michel Temer, afirmando que “golpe de Estado precisa da participação de todas as Forças Armadas, caso contrário não é golpe de Estado”. Ele descartou qualquer ideia de golpe, destacando a falta de um comandante e afirmando que não havia forças organizadas para tal ato. “Ninguém dá golpe em um domingo, em Brasília, com pessoas com Bíblias debaixo do braço e bandeira do Brasil, nem com estilingue, bolinha de gude ou batom”, disse ele, enfatizando que “não tinha um comandante” e que “não seria um golpe com um general da reserva e meia dúzia de oficiais”.
Bolsonaro também ressaltou que, caso alguém tivesse sugerido um golpe, ele responderia com uma reflexão sobre as consequências internacionais e as repercussões para o Brasil. “Se alguém viesse conversar sobre golpe comigo, eu ia dizer: ‘Tá, tudo bem, e o after day? Como fica o mundo perante a nós?'”, afirmou.
Reforçando sua posição, o ex-presidente afirmou que a palavra “golpe” nunca fez parte de seu vocabulário e reiterou: “Não faço e jamais faria algo fora das quatro linhas da Constituição”.
A declaração de Bolsonaro ocorre após a Polícia Federal (PF) indiciar o ex-presidente e outras 36 pessoas no contexto de investigações sobre os eventos que levaram à tentativa de desestabilização do governo eleito. O indiciamento, que foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na última quinta-feira (21), inclui figuras de destaque como os generais Augusto Heleno (ex-chefe do GSI), Braga Netto (ex-ministro da Defesa e vice-presidente de Bolsonaro) e Paulo Sérgio Nogueira (ex-comandante do Exército), além do ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, e outras figuras políticas, como Valdemar Costa Neto, presidente do PL.











