Uma quadrilha que utilizava casais em motocicletas para disfarçar entregas de drogas como se fossem tele-entregas foi alvo de uma grande operação policial nesta quinta-feira (24), na Região Metropolitana de Porto Alegre. A Operação El Patron III, conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de São Leopoldo, resultou na prisão de 13 suspeitos e na apreensão de armas, drogas, munições e um veículo utilizado nas ações criminosas.
A ofensiva mobilizou cerca de 100 agentes da Polícia Civil e teve como palco as cidades de São Leopoldo, Novo Hamburgo, Esteio e Campo Bom, onde 25 mandados judiciais foram cumpridos. O foco da operação foi desarticular uma organização criminosa envolvida no tráfico de cocaína e maconha, que vinha utilizando métodos inovadores para escapar da repressão policial.
De acordo com o delegado Ayrton Figueiredo Júnior, responsável pela investigação, o grupo passou a empregar casais em motocicletas, simulando entregas comuns — uma tentativa de camuflar o tráfico em meio ao cotidiano urbano. “Eles tentavam se passar por entregadores, como se estivessem levando comida, justamente para evitar suspeitas durante as abordagens policiais”, explicou o delegado.
A estratégia foi identificada durante a continuidade das investigações, que tiveram início em fases anteriores da operação. A Draco já monitorava os passos da quadrilha, que adaptava seu modo de operação sempre que sentia o cerco se fechar.
Além das prisões e apreensões, a operação representou mais um golpe no tráfico de drogas local, que tem adotado táticas cada vez mais sofisticadas e discretas. Os presos foram encaminhados ao sistema prisional, e a Polícia Civil segue as investigações para identificar outros membros do grupo e mapear toda a cadeia de comando da organização.
Tráfico cada vez mais disfarçado
Nos últimos anos, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul tem identificado uma tendência de organizações criminosas adotarem logísticas inspiradas em serviços de entrega para distribuir drogas, especialmente em regiões urbanas. Em alguns casos, até mesmo mochilas com logotipos de aplicativos de entrega foram utilizadas para camuflar a movimentação.
Segundo o Ministério da Justiça, esse tipo de disfarce já foi detectado em outras capitais brasileiras, como São Paulo e Rio de Janeiro, o que reforça a necessidade de abordagens mais estratégicas por parte das forças de segurança.











