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segunda-feira, julho 20, 2026
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Epidemia de parasita renal ameaça cães resgatados em áreas inundadas do Rio Grande do Sul

Veterinários alertam para aumento dos casos de Dioctophyma renale após enchentes, exigindo ação urgente para proteger os animais vulneráveis.

As recentes inundações que assolaram quase todo o território do Rio Grande do Sul trouxeram à tona uma preocupação premente para os abrigos e equipes de resgate de animais: o aumento dos casos de Dioctophyma renale, um parasita que afeta principalmente os rins dos cães.

A médica veterinária Mariana Botelho, que trabalha voluntariamente em operações de resgate, identificou essa infecção em diversos animais, especialmente aqueles provenientes de áreas insulares.

O Dioctophyma renale geralmente é contraído pela ingestão de peixes ou rãs contaminados. Os cães das áreas insulares são particularmente suscetíveis, pois tendem a consumir vísceras ou peixes inteiros, os quais podem estar infectados com as larvas do parasita, alerta a médica. Uma vez ingerido, o verme pode migrar pelo corpo do animal e se alojar nos rins, causando danos graves.

Mariana adverte que a detecção desse parasita só é possível por meio de exames de urina ou ultrassonografia abdominal. Nos últimos dias, vários veterinários têm observado um aumento significativo nos casos, indicando que o problema é mais sério do que inicialmente se pensava. Os cães infectados pelo Dioctophyma renale podem não apresentar sintomas claros imediatamente, o que dificulta o diagnóstico precoce. No entanto, alguns sinais incluem dor abdominal, perda de apetite, presença de sangue na urina e, em casos graves, insuficiência renal.

Tratamento

A abordagem para tratar a infecção por Dioctophyma renale é a nefrectomia, ou seja, a remoção cirúrgica do rim afetado. Mariana destaca a importância de realizar exames de urina e ultrassonografias abdominais em todos os animais resgatados das áreas afetadas pelas enchentes, especialmente aqueles provenientes das ilhas. É crucial identificar e tratar os casos o mais rápido possível para evitar complicações maiores.

Segundo a profissional, o Conselho Regional de Medicina Veterinária precisa cobrir os custos desses exames em animais resgatados. “Diante dessa emergência de saúde animal, é crucial que o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul tome medidas imediatas para financiar os exames necessários para detectar a infecção por Dioctophyma renale em animais resgatados. A colaboração entre veterinários, abrigos e autoridades é essencial para controlar a disseminação desse parasita e proteger a saúde dos animais resgatados. É de extrema importância que todos os abrigos de animais e equipes de resgate estejam cientes dessa ameaça e realizem os exames necessários. A população deve ser informada de que a Dioctophyma renale não é contagiosa para humanos ou outros cães, a menos que haja ingestão de peixe ou rã contaminados. Com a devida atenção e intervenção, é possível mitigar os impactos dessa infecção e garantir o bem-estar dos animais afetados pelas enchentes”, afirmou.

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