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quarta-feira, setembro 9, 2026
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Indústria prevê repasse de preços devido à alta do dólar, impactando inflação em 2025

Com a disparada do dólar, que registrou uma alta de 24,3% no ano e fechou a R$ 6,03 na sexta-feira (13), a indústria brasileira já se prepara para repassar aumentos de preços a partir de janeiro de 2025. Empresas de diversos segmentos, especialmente de produtos industrializados e alimentos exportados, começam a refletir o impacto da moeda americana mais valorizada, com efeitos diretos na inflação do próximo ano.

Segundo Adriano Valladão, economista do Santander, embora o impacto do câmbio não seja imediato, ele será sentido com maior intensidade no próximo trimestre, especialmente em itens como carnes e produtos industrializados. “Embora a alta do câmbio não afete muito as compras de Natal, ela gera pressão para o ano seguinte”, afirmou.

A Mondial, fabricante de eletroportáteis, como escovas secadoras e panelas elétricas, já está sentindo os efeitos da alta do dólar. Giovanni M. Cardoso, cofundador da companhia, informou que, devido ao aumento nos custos da logística internacional e da matéria-prima, foi necessário reajustar os preços de seus produtos em 4% a 6% para itens nacionais e até 12% para os importados em 2024. Caso o dólar se mantenha na faixa de R$ 6, novos aumentos são “inevitáveis”, adiantou.

No setor de fraldas descartáveis, a CCM, dona de marcas como Confort e Wellness, também já repassou aumentos de 5% e 3% ao longo deste ano, e prevê um ajuste de cerca de 6% para janeiro, caso o câmbio continue a pressionar os custos. A indústria de transformação, que tem mais de 25% de seus insumos dolarizados, enfrenta tanto impactos negativos, com o aumento de preços, quanto positivos, pela maior competitividade nas exportações, como destaca Mario Sergio Telles, da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A CCM aposta nas vendas internacionais, especialmente para países da América do Sul, como Argentina, Uruguai e Paraguai, para mitigar os efeitos da volatilidade cambial. Rodrigo Zerbini, CEO da empresa, afirmou que, apesar da necessidade de força de venda, a alta de custos permanece desafiadora.

Apesar de alguns benefícios na competitividade, o economista Rafael Cagnin, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), alerta que o cenário de alta volatilidade cambial e juros elevados tende a gerar incertezas que freiam decisões de investimento e produção. “O repasse de preços é uma questão de tempo”, conclui.

O Ministério da Fazenda espera que um pacote fiscal em andamento no Congresso possa aliviar a cotação do dólar, ao reduzir as incertezas sobre a sustentabilidade fiscal. No entanto, a recente escalada da moeda foi desencadeada pela frustração com o andamento das medidas, o que mantém o cenário instável.

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