Um filme narrado pelo Padre Júlio Lancellotti foi escolhido para ser apresentado na sexta edição da Mostra Sesc de Cinema. O filme retrata Santa Marina como uma figura LGBT. O filme, chamado São Marino, foi dirigido por Leide Jacob e será exibido no CineSesc, localizado na região central de São Paulo, em 12 de dezembro.
Segundo a colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo, o filme trata de tópicos “atuais” ao narrar a vida de Marino, uma pessoa trans que teria vivido no Líbano no século 6 e que, após sua morte, foi santificada como Santa Marina. Essa visão seria uma nova interpretação da história da Santa.
A versão oficial apresentada pela Igreja Católica sobre Santa Marina relata que ela era uma jovem que ficou órfã de mãe e decidiu ingressar em um mosteiro para continuar vivendo com o pai. Para isso, ela se disfarçou de monge. Durante sua vida, ela foi acusada de engravidar uma jovem, mas optou por manter sua verdadeira identidade feminina em segredo.
A Arquidiocese de São Paulo criticou a obra no ano passado e disse que “a história dos santos católicos deve ser melhor conhecida, e não pode ser interpretada à luz de ideologias que em nada correspondem com o contexto em que viveram”.
A lista de atores do curta inclui pessoas trans, como Ariel Nobre, Daniel Veiga, Gabriel Lodi, Leo Moreira Sá, Omo Afefe e Rosa Caldeira. A Igreja Santa Marina, localizada na Zona Leste de São Paulo, foi o local escolhido para a gravação do documentário.
Arquidiocese de São Paulo desmente trailer de documentário sobre Santa Marina.
NOTA: Em relação às notícias sobre a divulgação do trailer do documentário intitulado “São Marino”, a Arquidiocese de São Paulo manifesta que tal narrativa não condiz com a realidade sobre a vida de Santa Marina, venerada pelos católicos. É importante ressaltar, ainda, que a história dos santos católicos deve ser melhor conhecida, e não pode ser interpretada à luz de ideologias que em nada correspondem com o contexto em que viveram, tampouco com os valores e virtudes por eles testemunhados ao longo de suas vidas. Santa Marina era uma jovem órfã de mãe que, para continuar a viver com o pai, que decidiu ingressar em um mosteiro, disfarçou-se de monge e consagrou sua virgindade a Deus. No mosteiro, progrediu nas virtudes, na vida de oração, penitência e caridade. Sua humildade, obediência, espírito de sacrifício e abnegação a destacavam entre os membros daquele mosteiro. Um grande exemplo de sua alma virtuosa é percebido quando a Santa foi falsamente acusada de ter engravidado uma jovem. Podendo defender-se, revelando que, na verdade, era uma mulher, ela silenciou, suportando a provação da calúnia e humilhações, unindo-as aos sofrimentos de Cristo. Seu segredo, assim como a verdade sobre sua inocência, só foi descoberto quando ela faleceu.
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