Mesmo enfrentando os impactos das enchentes, o Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul registrou um crescimento de 4,9% em 2024, superando a média nacional de 3,4%. O desempenho foi fortemente impulsionado pela agropecuária, que teve um avanço de 35% no estado, contrastando com a retração de 3,2% no setor em nível nacional.
Agropecuária puxa crescimento gaúcho
De acordo com o Departamento de Economia e Estatística (DEE), a produção de soja foi o principal fator por trás do bom desempenho do setor agrícola no estado. Além da soja, trigo, milho e arroz também contribuíram significativamente para o crescimento.
O PIB gaúcho atingiu um valor corrente de R$ 706,8 bilhões, aumentando sua participação na economia brasileira para 6,02%, em comparação com os 5,9% registrados em 2023. O PIB per capita chegou a R$ 62.941, um aumento real de 4,8% e 13,9% acima da média nacional.
Comércio cresce, mas indústria recua
Enquanto o setor comercial do Rio Grande do Sul teve um crescimento de 2,4% – muito superior ao aumento de 0,3% registrado no Brasil –, a indústria gaúcha enfrentou desafios, com uma retração de 0,4%. A indústria de transformação teve queda de 2,5%, puxada por baixas expressivas nos segmentos de máquinas e equipamentos (-18,8%), bebidas (-13,2%) e veículos automotores (-3,2%).
Por outro lado, alguns setores industriais tiveram crescimento significativo. A produção de derivados do petróleo e biocombustíveis avançou 16,8%, beneficiada pela ausência de paradas técnicas na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap). A fabricação de móveis cresceu 11%, impulsionada pela reconstrução de residências após as enchentes, enquanto a produção de celulose aumentou 6,3%, devido à expansão da CMPC, principal empresa do setor no estado.
O setor de serviços também apresentou crescimento sólido, com alta de 3,5%, próximo da média nacional de 3,7%.
Incertezas para 2025 e impactos do “tarifaço” de Trump
Apesar do crescimento positivo em 2024, as projeções para 2025 são incertas. Técnicos do DEE destacaram que as novas tarifas comerciais anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, podem afetar a economia gaúcha. Os EUA são o segundo maior destino das exportações de produtos de média e alta complexidade do estado, e as restrições comerciais podem impactar negativamente diversos setores.
O governador Eduardo Leite ressaltou que, sem as enchentes, o crescimento do estado poderia ter sido ainda maior. Para mitigar os impactos e garantir a resiliência da economia gaúcha, o Plano Rio Grande já direcionou quase R$ 7 bilhões para projetos de recuperação.
Leite também defendeu a necessidade de um programa federal de refinanciamento das dívidas dos produtores rurais, destacando que a falta de crédito pode limitar investimentos e afetar o crescimento econômico do estado. “O produtor rural é um bom pagador, mas, preocupado em honrar seus compromissos, ele deixa de investir, impactando diretamente nosso PIB”, afirmou.
Nos próximos dias, o governo do estado buscará uma reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para discutir soluções para o setor agropecuário, especialmente diante da estiagem que já afeta diversas regiões do Rio Grande do Sul.











