O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem adotado uma postura contrária à tramitação acelerada do projeto de lei que propõe anistia aos presos dos atos de 8 de janeiro. Motta orientou os líderes partidários a não assinarem o pedido de urgência para a votação da matéria, o que gerou forte reação da oposição, especialmente do PL, partido que lidera a articulação para levar o tema ao plenário.
PL pressiona por votação
O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), criticou a manobra do presidente da Casa e afirmou que, apesar da resistência, continua buscando assinaturas individualmente para garantir a tramitação rápida da proposta.
“Enquanto ele [Motta] acionou os líderes para não assinarem a urgência, eu estou fazendo o trabalho formiguinha, um a um”, disse Sóstenes em entrevista.
O parlamentar também relatou dificuldades em conseguir uma reunião com Hugo Motta ao longo da semana. O encontro só ocorreu na noite de quarta-feira (2), às 23h, pouco antes da reunião de líderes da quinta-feira (3).
A resistência de Motta em receber Sóstenes contrasta com sua presença em eventos públicos ao lado de ministros do Supremo Tribunal Federal, como Flávio Dino e Alexandre de Moraes, no Senado no início da semana. Essa proximidade tem sido apontada por setores da oposição como um possível indicativo da influência do Judiciário sobre a decisão do presidente da Câmara.
Divisão no PP evidencia desafios para a oposição
Além da resistência de Motta, a falta de unidade dentro de partidos do centrão, como o Progressistas (PP), também dificulta a tramitação da proposta. Apesar de ser presidido pelo senador Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, o partido possui parlamentares com diferentes posicionamentos em relação ao tema.
O líder do PP na Câmara, Doutor Luizinho (RJ), indicou que a bancada não está completamente alinhada à oposição e criticou a falta de articulação prévia do PL.
“A pauta tem apelo político, mas entendemos que extrapola nossa função constitucional”, afirmou Luizinho. “Tinha que ter nos procurado antes.”
O futuro da proposta de anistia
Com a resistência de Motta e a falta de consenso entre partidos aliados, o destino da anistia aos presos de 8 de janeiro segue incerto. A oposição, no entanto, promete intensificar a mobilização para pressionar a Câmara a levar o tema à votação, enquanto o governo e seus aliados trabalham para frear a tramitação da proposta.











